segunda-feira, 21 de maio de 2012
Entrelinhas
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Tempestade

Essa escuridão disfarçada de infinito me rodeou tão severamente. Me fez esquecer dos meus pés que se movem em qualquer direção, fez esquecer das mãos que te sentem, te abraçam calmamente, entorpecem a alma, esvaziam o coração. Esse coração clichê de príncipe desencantado já não caminha mais na mesma imensidão de sonhos inalcançáveis. Agora ele se move, afasta a poeira, ergue do chão. Agora ele o vê, serenamente sentado no ponto alto, imóvel e alcançável, talvez encurralado pela impiedosa curiosidade de descobrir novos horizontes. Para quem pouco de quatro paredes havia visto, esse desejo seria impossível de não persuadir. Para quem muito já havia enlouquecido, esperança ainda havia em ouvir uma voz dizendo: “tempestade passou e podemos viver livres enfim”.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Cadeira Reservada

Andei pensando nos erros cometidos por mim. Em sentido restrito, eu cruzei os braços e esperei calmo, as luzes do seu coração se acenderem. Eu poderia ter me arriscado, mas fiquei sentado na sala do cinema, vendo créditos inúteis de um filme que já havia esgotado. Esperei. Esperei. Vendo créditos inacabados. Agora quero começar um novo filme, de temática distinta e pipoca recém preparada. Com uma placa escrito ao lado “Cadeira Reservada”. Sinta-se a vontade para assistir este filme ao meu lado, porque nessa sala, você é o único convidado. Espero que uma brisa, vinda de lugar nenhum, refresque os seus ouvidos com as palavras que sempre recito antes de dormir. “Será eterno enquanto durar, porque foi isso que decidimos. Será concreto enquanto sentir, porque é assim que a vida parece. Será meu enquanto você quiser, porque assim grandes amores acontecem.”
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Forca
E eu vou para a forca, construída com idéias minhas, sustentada por tristezas nossas, posta em praça pública, para entreter mentes maldosas, ansiosas a espera do meu fim chegar. Subo cada degrau sem ter medo de ser o último, minhas mãos roçam os pulsos que já estão cansados de se machucar. Chego ao ponto alto da plataforma. A corda morta, que grita risos ecoantes como de costume, mas que de alguma forma já não me incomodam mais os graves nem os gumes. No topo, o suor goteja das pontas dos dedos, nesse calor escaldante até o sol distante parece zombar dos caminhos feios que segui na vida, tortuosa e pensativa. Caminhos escolhidos que nunca me deram a chance de continuar vivo. Caminhos sem vida.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Parada Cardíaca

domingo, 8 de maio de 2011
Felicidade
Parece bobagem, mas não sei falar sobre a felicidade. Sentir essa liberdade entrelaçada ao compromisso, me faz aprender as várias maneiras lindas de por um sorriso, no rosto de quem se ama. Parece bobagem, nunca ter a coragem de olhar para baixo, mesmo quando as luzes se apagam, ou a música remete sofrimentos, que já nem são mais possíveis de serem lembrados.
Sinto a barbeiragem, na chegada do nosso estado de solidão volitiva, silenciosa e convencida, que você acabara de mostrar na minha vida. Me volto para o espelho e reflito o vazio se cobrindo com raios de fática sentimentalidade, de todos os atos improváveis que acontecem mundo a fora, distorcendo a forma lógica, que os outros me ensinaram a enxergar.
Faço a bagagem, junto todas as angústias e coloco no sótão da minha mentalidade, humana e infantil de olhar para o mundo. Me admiro com a nossa miragem, misturada a realidade, mesclada a insanidade, só para me fazer confundir o que, de fato, sentimos em si. Ponho tudo que é simétrico e sistemático para fora do eixo, deixando apenas o desfecho, de viver eternamente pensando em ti.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Criatividade
Surtei!
Já revirei este quarto
Mexi nas estantes
Enfiei-me entre os livros
Vi papeis de madeira,
Em branco, logo na primeira prateleira.
.
Estiquei o chinelo, espreguicei o delgado,
Desequilibrei um momento, parei alarmado!
Fazia tempo que a procurava,
Lembrara onde a havia notado
Corri a caneta, fiz um rabisco apressado.
.
Como eu poderia ter me esquecido?
Da criatividade que me havia fugido,
estava logo atrás dos ouvidos,
na parte do cérebro que não fazia sentido.