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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Espera!

- Oi
- Eu estava passando e tomei a coragem para te admirar mais de perto
- este lugar está vago?
- obrigado
- eu sabia que você era gentil, educado
- Espera! Não vai!
- por favor, espera
- acredita na minha inocência
- acredita nos meus olhos
- Eu sei das coisas que não fazem sentido
- não quero te assustar, nem te fazer chorar
- mas quando olhei para você senti que te queria perto de mim
- poderia ser para sempre, ou até eu morrer
- Você acha isso estranho?
- talvez seja, mas paremos pra pensar em quantas coisas estranhas acontecem por ai
- você tem razão, talvez não tão estranhas quanto essa
- é como se eu não fosse me perdoar se não te falasse, entende?
- Eu apenas precisava dizer que eu senti, e que foi real
- precisava dizer que independendo de como você vai reagir, eu espero sempre o melhor de ti
- Eu espero que você olhe nos meus olhos e diga que sempre esperou por mim

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Olhar de Dentro



Eu sempre fui muito de falar. Falar sobre coisas que ninguém mais fala ou nunca quer pensar.
Pode parecer tedioso, abusivo, incompreensivo, falar de coisas que apenas para poucos fazem sentido. Coisas que envolvem carinho, admiração, que se falam olhando nos olhos e segurando a mão. Coisas que não mentimos, não fingimos nem ouvimos, apenas sentimos. E sentir, meu caro amigo, é o que há de mais saliente nos olhos de quem gostamos. Nos meus olhos e nos teus, e nos olhos de todos aqueles que gostam do olhar de dentro. E ao olhar dentro de você, eu vi um amontoado de sentimentos, prontos para se organizar. Alguns sentimentos confusos, outros de uma vida bem vivida. Alguns que sabem elogiar, outros que perdem o sentido e não sabem o que falar. Agora me resta apenas torcer, para que você organize bem seus sentimentos, e assim você vai me ver e entender perfeitamente, como é belo o meu olhar de dentro.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Entrelinhas

E quanto mais eu penso, falo, respiro, mais louco fico...
E o tempo brinca. Brinca com a gente, brinca de embaralhar. Cria monstros que nos fazem reis de lugar algum ou qualquer lugar. Mas o lugar não importa. Pode ser aqui, ai, acula. O que importa mesmo é o que se sente. Nesse mundo tolo, sempre cheio, as idéias fluem de um lado ao outro e fazem brotar um sentimento inteiro. Talvez muito complexo para se nominar.
É um querer estar perto, uma vontade de olhar. É perder o foco em fazer sorrir. Basta apenas sorrir. E te ver feliz vai queimar minha alma tão intensamente, que o tempo eu vou burlar. Vou parar as horas e tornar eternos os segundos que sussurrei no seu ouvido. Sussurrei o quanto você é lindo, verdadeiro, impossível. E com um longo abraço, sussurrei nas entrelinhas, que para mim você já é muito mais que um amigo.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Tempestade


Essa escuridão disfarçada de infinito me rodeou tão severamente. Me fez esquecer dos meus pés que se movem em qualquer direção, fez esquecer das mãos que te sentem, te abraçam calmamente, entorpecem a alma, esvaziam o coração. Esse coração clichê de príncipe desencantado já não caminha mais na mesma imensidão de sonhos inalcançáveis. Agora ele se move, afasta a poeira, ergue do chão. Agora ele o vê, serenamente sentado no ponto alto, imóvel e alcançável, talvez encurralado pela impiedosa curiosidade de descobrir novos horizontes. Para quem pouco de quatro paredes havia visto, esse desejo seria impossível de não persuadir. Para quem muito já havia enlouquecido, esperança ainda havia em ouvir uma voz dizendo: “tempestade passou e podemos viver livres enfim”.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Cadeira Reservada

Andei pensando nos erros cometidos por mim. Em sentido restrito, eu cruzei os braços e esperei calmo, as luzes do seu coração se acenderem. Eu poderia ter me arriscado, mas fiquei sentado na sala do cinema, vendo créditos inúteis de um filme que já havia esgotado. Esperei. Esperei. Vendo créditos inacabados. Agora quero começar um novo filme, de temática distinta e pipoca recém preparada. Com uma placa escrito ao lado “Cadeira Reservada”. Sinta-se a vontade para assistir este filme ao meu lado, porque nessa sala, você é o único convidado. Espero que uma brisa, vinda de lugar nenhum, refresque os seus ouvidos com as palavras que sempre recito antes de dormir. “Será eterno enquanto durar, porque foi isso que decidimos. Será concreto enquanto sentir, porque é assim que a vida parece. Será meu enquanto você quiser, porque assim grandes amores acontecem.”

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Forca




E eu vou para a forca, construída com idéias minhas, sustentada por tristezas nossas, posta em praça pública, para entreter mentes maldosas, ansiosas a espera do meu fim chegar. Subo cada degrau sem ter medo de ser o último, minhas mãos roçam os pulsos que já estão cansados de se machucar. Chego ao ponto alto da plataforma. A corda morta, que grita risos ecoantes como de costume, mas que de alguma forma já não me incomodam mais os graves nem os gumes. No topo, o suor goteja das pontas dos dedos, nesse calor escaldante até o sol distante parece zombar dos caminhos feios que segui na vida, tortuosa e pensativa. Caminhos escolhidos que nunca me deram a chance de continuar vivo. Caminhos sem vida.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Parada Cardíaca




Estranhamente convincente me comunicar com uma imagem mentirosa, tão clara e tão nítida quanto as palmas das minhas mãos, se preparando para esmurrar o chão. Tudo parecia tremer a partir de um ponto, um ponto fixo, perto o bastante para me fazer paralisar de agonia, distante o suficiente para fazer a minha visão embaçar, minhas pernas tremerem, minha consciência falhar e eu? Eu Cair. Revirei as palmas em um leve esforço. Meus dedos estavam pesados, me puxavam para baixo com uma constante batida pulsante, onze corações eu tinha, mas sentia apenas dez, pois o mais importante deles havia morrido com o meu último suspiro, inocente e sufocante. Eu havia perdido o sentimento, o mais puro deles, o mais cuidadosamente guardado, o havia perdido para uma imagem mentirosa. Eu o perdi pela minha incoerência, mesmo sabendo o que fazia sentido, senti o meu amor sendo sepultado em cada grão de terra que nossa história gerou. Em sua lápide, eu escrevi, “aqui jaz o meu amor, morto por parada cardíaca, provocada por uma mentira”.